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Escola da Noite classifica avaliação de “preconceituosa” e “bizarra”

A Escola da Noite, companhia de teatro sediada em Coimbra que ficou excluída dos apoios plurianuais, afirmou hoje que vai apresentar contestação à avaliação do júri da Direção-Geral das Artes (DGArtes), que classifica de “preconceituosa” e “bizarra”.

De acordo com os resultados provisórios do Programa de Apoio Sustentado da DGArtes, na área do teatro, a Escola da Noite, a mais antiga companhia de teatro profissional de Coimbra, surge como a pior classificada da região Centro e fica excluída dos apoios plurianuais.

Num comunicado enviado hoje à agência Lusa, a companhia afirma que vai apresentar, “no prazo legalmente previsto, uma contestação à bizarra e particularmente acintosa avaliação de que foi alvo”.

A Escola da Noite considerou que a avaliação do júri é “preconceituosa e contraditória com os pressupostos e os objetivos do concurso, e com avaliações que foram feitas de outras estruturas”.

Na ata dos resultados provisórios a que a Lusa teve acesso, o júri considera que a organização da renovação da companhia, prevista na candidatura, é “estranhamente convencional e até autista”, considerando que “poderá estar à partida contaminada pelo modelo de criação e produção vigente”.

O júri classifica a candidatura da Escola da Noite de “simplista, descritiva e displicente”, e considera o plano de comunicação da companhia pouco desenvolvido e “com pouca ambição” – crítica também feita a outros grupos.

No comunicado, intitulado “Abril, por enquanto”, a companhia mostra-se também solidária com as estruturas que deixaram de poder contar com financiamento público, em particular os casos de O Teatrão – a outra companhia profissional de Coimbra -, do Centro de Artes Visuais (CAV), também sediado na cidade, e do Centro Dramático de Évora (CENDREV), com o qual o grupo tem trilhado “caminhos de descentralização”, tendo recentemente coproduzido o “Auto da Barca do Inferno”.

O grupo de Coimbra afirma que está também solidário com as estruturas que viram o seu financiamento estagnado ou reduzido, “em consequência do subfinanciamento das artes em Portugal”.

“O atual regulamento foi precedido de uma ‘discussão pública’ meramente formal, num processo em que o Governo ignorou (e nalguns casos contrariou mesmo) os contributos essenciais que o setor se prestou a dar”, vincou.

A companhia “está concentrada e empenhar-se-á em honrar todos os compromissos assumidos – com os seus trabalhadores, com os artistas com os quais acertou colaborações, com o seu público, com os seus fornecedores, com os seus credores”.

No comunicado, a Escola da Noite anuncia ainda que em maio conta estrear a sua 66.ª criação, com encenação de Rogério de Carvalho.

Trinta e nove candidaturas de 89 avaliadas na área do teatro deverão ficar excluídas do apoio da DGArtes, no período 2018-2021, face aos resultados provisórios do concurso, a que a agência Lusa teve acesso.

Sem financiamento, de acordo com os resultados provisórios dos programas para as diferentes linguagens artísticas, ficaram companhias como o Teatro Experimental do Porto, o Teatro Experimental de Cascais, as únicas estruturas profissionais de Évora (Centro Dramático de Évora) e de Coimbra (Escola da Noite e O Teatrão), além de projetos como a Orquestra de Câmara Portuguesa, a Bienal de Cerveira e o Chapitô.

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