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COMUNICAR E ENVOLVER

Uma oficina livre e global de comunicação, nas mais diversas áreas, gerida por António Veríssimo.

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07.05.18

Faleceu militar de Abril Álvaro Fernandes

antónio veríssimo

ABRIL 001.jpg

Comemoração dos 40 anos do 25 de Abril, em Mira.

Aqui, Álvaro Fernandes ao lado de Raul de Almeida.

FOTO: António Veríssimo

 

 

Faleceu este domingo o tenente coronel do Exército Álvaro Fernandes, um militar que participou no 25 de Abril, na sequência de um cancro. Na madrugada de 24 para 25 de Abril de 1974, foi um dos oficiais que assumiu o “comando do DGA, prestando seguidamente diversos serviços no Comando de Coordenação e Controle Operacional” que era chefiado pelo Major Otelo Saraiva de Carvalho; este organismo desapareceu logo que foi criado o COpCon, igualmente chefiado por Otelo.

Informações sobre o papel de Álvaro Fernandes no 25 de abril de 1974 estão disponíveis neste blogue Dos Veteranos da Guerra do Ultramar . Fernandes teve um “papel activo no apoio ao movimento popular” depois da Revolução dos Cravos. Em agosto de 1975, foi um dos autores do Documento do COPCON; alguns dias após a elaboração deste documento “presidiu à assinatura do protocolo de criação da FUR (Frente de Unidade Revolucionária), no Centro de Sociologia Militar”.

No início de setembro de 1975, em pleno ‘verão quente’, Otelo Saraiva de Carvalho incumbiu-o de “distribuir, por diversas unidades de Lisboa, parte do armamento recém-vindo do Ultramar e então armazenado no DMG-Beirolas”.

Esta ação determinou a sua passagem “à clandestinidade”, já que durante a distribuição “desviou para as mãos de operários e camponeses cerca de 1500 armas G3”, como se lê no citado blogue.

A meio de setembro de 1975, declarou-se “desertor do Exército Português, vindo a refugiar-se em Paris e ali obteve da delegação da ONU o estatuto de refugiado político”.

Autor de quatro livros

Álvaro Fernandes nasceu a 28 de Janeiro de 1943 e era natural de Luanda. Era casado com com Maria José Chaleira Fernandes. Vivia em Cascais.

O tenente-coronel publicou quatro livros — dois ensaios e duas novelas: "Portugal nem tudo está perdido", Ulmeiro,1976; "Berços de renda enxergas de trapo, 1981; "Kianda o rio da sede, 1996; "Testemunhas de um País Novo, 2003.

O corpo vai segunda-feira para a Igreja da Parede (hora ainda não conhecida) onde será velado. O funeral realizar-se-á na terça-feira de manhã.

EXPRESSO