Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

COMUNICAR E ENVOLVER - Oficina de comunicação livre e global

As notícias. os factos e as opiniões, nacionais e internacionais, nas mais diversas áreas, com gestão de António Veríssimo. Para se sentir sempre informado.

COMUNICAR E ENVOLVER - Oficina de comunicação livre e global

As notícias. os factos e as opiniões, nacionais e internacionais, nas mais diversas áreas, com gestão de António Veríssimo. Para se sentir sempre informado.

OPINIÃO. Da democracia na América, por Serge Halimi

Outubro 05, 2018

antónio veríssimo

O mundo não se livra da política norte-americana… Até aqui, as eleições intercalares raramente eram decisivas, mesmo quando provocavam a inversão da maioria. Em 1994, a imensa onda republicana varreu sobretudo as resistências dos democratas à política penal repressiva e à estratégia comercial liberalizadora do seu presidente; em 2010, a escalada conservadora do Tea Party paralisou Barack Obama, mas numa altura em que o seu slogan de campanha «Sim, nós podemos» já não era mais do que a recordação amarga de uma oportunidade perdida [1].

As eleições legislativas de 6 de Novembro próximo vão marcar, em contrapartida, uma nova etapa da polarização política dos Estados Unidos, esse turbilhão que nos últimos dois anos aumentou a desestabilização da ordem internacional. Porque o voto vai determinar o destino do ocupante da Casa Branca. Muito decidido a candidatar-se novamente em 2020, Donald Trump obceca tão profundamente cada um dos dois campos que dir-se-ia que lhes comeu o cérebro. Os seus adversários acusam-no de ser um traidor que procura minar a Aliança Atlântica e os valores democráticos do Ocidente. Ele responde que os seus acusadores são auxiliares de um gangue da América Central, o MS-13, que semeia o terror nos Estados Unidos. Estas acessos paranóicos, ampliados pelas redes sociais, tornaram-se uma música de fundo que já não desaparece após o período eleitoral. A sua consequência foi que os partidos deixaram de estar de acordo sobre as regras de jogo do seu confronto – essa «democracia americana» de que se diziam tão orgulhosos que até a apresentavam como modelo ao mundo inteiro.

Muitos democratas, quando não qualificam Trump simplesmente como fascista, vêem nele um «caniche de Putin»que deve a sua vitória a um modo de escrutínio enviesado em seu detrimento (o que não é falso), bem como às fake newsmagicadas por Moscovo (um exagero reforçado por uma obsessão). Se o Partido Democrata voltar a ser maioritário no Congresso, será tentado a multiplicar as comissões de inquérito e a enveredar por um processo de destituição contra o presidente [2].

Esta perspectiva reforça a cólera dos partidários de Trump, que se mantêm numerosos, inflamados e disponíveis para se considerarem perseguidos. Eles crêem que, na mesma altura em que o balanço económico do seu herói é lisonjeiro, a comunicação social, as elites intelectuais e o «Estado profundo» obstinam-se em impedi-lo de governar. Uma derrota no próximo mês de Novembro, longe de os desalentar, encorajá-los-á a acreditar que esta cabala, a fraude eleitoral e o voto dos imigrantes clandestinos são a causa dos seus dissabores.

Dois em cada três eleitores estão agora convencidos de que «o sistema está viciado em detrimento do americano médio»; republicanos e democratas concordam pelo menos neste ponto [3]. Têm razão em acreditar nisso, uma vez que a oligarquia é o seu regime comum. Mas o actual teor do seu afrontamento, personalizado ao extremo, sugere que a salvação deste americano médio não está para breve.

LE MONDE.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D