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Padre Max e Maria de Lurdes foram assassinados há 42 anos

Abril 04, 2018

antónio veríssimo

No dia 2 de Abril de 1976, o Padre Maximino Barbosa de Sousa e a sua aluna Maria de Lurdes, de 19 anos, foram assassinados pela explosão de uma bomba no carro em que seguiam. O atentado foi da autoria do movimento fascista MDLP, mas os seus autores nunca foram condenados.

Este é um grande escândalo da democracia portuguesa, um padre e uma jovem foram assassinados à bomba pela extrema-direita, mas os autores do crime nunca foram condenados.

O Padre Max era então candidato independente a deputado na lista da UDP (União Democrática Popular) e o assassinato foi organizado pelo movimento fascista MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal).

Os tribunais chegaram a admitir que o atentado partiu do MDLP. Três homens chegaram a ser acusados da autoria moral e outros quatro de terem sido os operacionais, mas os tribunais foram incapazes de uma condenação.

O Padre Max morreu quando tinha 33 anos, era professor do liceu e uma figura muito popular na região. O MDLP era um movimento da rede bombista de extrema-direita que se dedicava a perseguir e atacar pessoas de esquerda, sobretudo no Norte do país.

O Padre Max e Maria de Lurdes davam aulas de Português e Francês a adultos na Casa da Cultura da Cumieira, uma freguesia próxima de Vila Real. Quando se deslocavam de carro entre a Cumieira e Vila Real, a bomba explodiu, accionada por controlo remoto e os dois morreram.

O primeiro processo sobre o crime foi arquivado em 1977, por falta de provas. Em 1989, o processo foi reaberto pelo Tribunal da Relação do Porto. Foram indicados sete responsáveis pelo atentado: O cónego de Braga Eduardo Melo, o empresário Rui Castro Lopo, e o ex-membro do Conselho da Revolução Canto e Castro, como autores morais; Carlos Paixão, Alfredo Vitorino, Valter dos Santos e Alcides Pereira, como autores materiais. Mas, o processo foi novamente arquivado, por falta de provas.

Em 1996, o Tribunal da Relação do Porto reabriu de novo o processo, tendo sido apenas pronunciados os quatro autores materiais, que foram absolvidos em 1997, por falta de provas. Posteriormente, o Supremo Tribunal de Justiça anulou o acórdão e foi marcado novo processo, que a 21 de Janeiro de 1999 absolveu os arguidos e ninguém foi condenado, apesar do Tribunal admitir que o ataque teria partido do MDLP.

Em 2006, numa conferência organizada pelo Bloco de Esquerda, Francisco Louçã afirmou que os tribunais foram “silenciosos, negligentes e muitas vezes incompetentes” quando julgaram o assassinato do padre Max, “porque não queriam investigar e levar o processo às últimas consequências”.

Nessa realização, o advogado Mário Brochado Coelho, que durante mais de 20 anos tudo fez para que o caso fosse a tribunal e os responsáveis fossem condenados, salientou que "o tribunal achou que eles tinham feito alguma coisa, mas não conseguiu reunir provas concretas de que o fizeram. Eu próprio concordei com essa decisão, porque na justiça ninguém pode ser julgado sem provas claras". Mário Brochado Coelho, concluiu então: "Mataram premeditadamente o padre Max, mesmo sabendo que ele levava no carro uma jovem - o que é típico da extrema-direita portuguesa, do absolutismo até hoje".

No site acomuna.net (link is external), por ocasião dos 35 anos, o então deputado Luís Fazenda evocou a memória de Maria de Lurdes e Padre Max nos presentes termos:  

"A Lurdes Correia, estudante em Vila Real, filha de emigrantes em França, sucumbiu de imediato à explosão da bomba no Simca, que matou também Max.
A morte veio assim à traição no 1º dia de vigência da Constituição de Abril. A Lurdes alfabetizava camponeses, deu rosto à luta estudantil contra o caciquismo reaccionário, não temeu os fascistas que agiam abertamente pelo regresso à ditadura. Militante da União de Estudantes pela Democracia Popular (UEDP) era o entusiasmo da revolução que a sobressaltava. 35 anos depois a memória venceu o tempo porque outros jovens estremecem destinos”.

ESQUERDA

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